Hoje
tive um grande aprendizado em minha vida. Talvez nunca tivera uma experiência
tão intensa e tão efêmera quanto a de hoje. E olhe que não estive influenciado
por nenhuma das drogas brasileiras ilegalmente reconhecidas.
Na
verdade esta experiência foi um resultado de uma semana de grande esforço
carnavalesco em Salvador, na Bahia. Adianto que não sou baiano, logo não tenho
nenhum espírito patriótico sobre qualquer ritmo ou tradição local. Me diverti muito!
Por
motivos quaisquer, me aproximei nestes dias dos trabalhos de duas bandas, que
já conhecia mas que não era grande apreciador. Logo de início percebi que
qualquer tentativa de comparação me levaria aos conceitos reducionistas
e massificados dos meios de comunicação. Mantive-me em silêncio pelo tempo que
foi possível.
Tempo
este que não perdurou muito. Opinei, disse o que preferia com a liberdade de
alguém que mesmo sem grande conhecimento emite pelo pouco que sabe. Não que
tenha me sentido no mesmo direto que qualquer outro, mas num direito próprio de
emitir opinião sobre o meu ponto de vista (por mais pequeno que eu reconheça).
E ai
mora toda a problemática deste texto: o ponto de vista de uma pessoa nem sempre
é visto como apenas um ponto de vista, mas pode ser visto como a defesa de uma
verdade universal (mesmo reconhecendo que ela não exista). Principalmente
quando as partes estão bêbadas.
E
como numa força de uma intensidade efêmera, qualquer palavra pode soar como uma
grande e irreversível ofensa. Ofensa essa que cometi por não concordar que a
Bahia depende das revelações carnavalescas e, talvez erroneamente, por não
reconhecer a opinião de quem acompanha todos os carnavais baianos
desde a década de noventa.
Voltei para casa nesta noite, ouvi os problemas o tanto quanto similares de minha amiga
que aqui residia (sobre a empobrecida verdade que ronda as cabeças daqueles que
não fazem questão de pensar) e me convidei a mergulhar num posso de chá de
hortelã para me convencer a entregar-me às ruinas de mim na minha amada e desejada
cama!