sábado, 25 de fevereiro de 2012

aprendizados de um bêbado na Bahia


Hoje tive um grande aprendizado em minha vida. Talvez nunca tivera uma experiência tão intensa e tão efêmera quanto a de hoje. E olhe que não estive influenciado por nenhuma das drogas brasileiras ilegalmente reconhecidas.

Na verdade esta experiência foi um resultado de uma semana de grande esforço carnavalesco em Salvador, na Bahia. Adianto que não sou baiano, logo não tenho nenhum espírito patriótico sobre qualquer ritmo ou tradição local. Me diverti muito!

Por motivos quaisquer, me aproximei nestes dias dos trabalhos de duas bandas, que já conhecia mas que não era grande apreciador. Logo de início percebi que qualquer tentativa de comparação me levaria aos conceitos reducionistas e massificados dos meios de comunicação. Mantive-me em silêncio pelo tempo que foi possível.

Tempo este que não perdurou muito. Opinei, disse o que preferia com a liberdade de alguém que mesmo sem grande conhecimento emite pelo pouco que sabe. Não que tenha me sentido no mesmo direto que qualquer outro, mas num direito próprio de emitir opinião sobre o meu ponto de vista (por mais pequeno que eu reconheça).

E ai mora toda a problemática deste texto: o ponto de vista de uma pessoa nem sempre é visto como apenas um ponto de vista, mas pode ser visto como a defesa de uma verdade universal (mesmo reconhecendo que ela não exista). Principalmente quando as partes estão bêbadas.

E como numa força de uma intensidade efêmera, qualquer palavra pode soar como uma grande e irreversível ofensa. Ofensa essa que cometi por não concordar que a Bahia depende das revelações carnavalescas e, talvez erroneamente, por não reconhecer a opinião de quem acompanha todos os carnavais baianos desde a década de noventa.

Voltei para casa nesta noite, ouvi os problemas o tanto quanto similares de minha amiga que aqui residia (sobre a empobrecida verdade que ronda as cabeças daqueles que não fazem questão de pensar) e me convidei a mergulhar num posso de chá de hortelã para me convencer a entregar-me às ruinas de mim na minha amada e desejada cama!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011


Eu definitivamente não entendo o que acontece no coração dos apaixonados. Quando se conhecem ficam deslumbrados, constroem castelos de sonhos e em poucos dias percebem que os mesmos foram construídos com compensado que logo desaba e transforma tudo em um montueiro de lixo.
Mas não o bastante para se colocar um fim no relacionamento. Pondera-se os pontos positivos, entre eles a diminuição da sensação de solidão e da possibilidade de preocupar-se com alguém que não seja a si próprio (preocupar-se apenas consigo leva qualquer perfeccionista à loucura).
Então, vai-se levando, com a sincera consciência, muitas vezes não declaradas, de que poderia ficar muito bem sozinho novamente, ou que poderia encontrar alguém mais interessante. Por outro lado, faz de tudo para que a pessoa se sinta valorizada, acalentada, protelando suas decisões mais abruptas.
Um dia, antes mesmo de se conhecerem a fundo, descobre que a outra pessoa pensa bem menos em você do que você mesmo imaginava. Decide então estabelecer o fim, evitando que isso se torne um mar de cobranças.
Novamente sozinho, pensa na grandeza de estar novamente livre, de viver as próprias vontades para programar os próximos dias, de conhecer pessoas novas e de se permitir ser feliz novamente.
E quando bate a noite, sente falta dos problemas, das programações que teve que participar, da pessoa que a pouco desejou não ver mais. Fica então indeciso do que sente. Bate uma leve certeza que se estiver junto novamente, não vai ser feliz e que permanecer sozinho também não o fará feliz.
É, que venha o tempo!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

véspera do Encontro com Thomas Richard

Inicio um ciclo de relatos diários sobre minha experiência em BH, em abril de 2011, no Encontro Mundial de Artes Cênicas, na oficina mnistrad por Thomas Richard, a respeito dos estudos de Grotowski.











Acordei 6h da manhã em Salvador, peguei meu tão suado ônibus e voei no tão apertado avião, mas cheguei vivo. Revi um grande amigo, do qual disfruto de seu lar nesta noite de hoje. Muito ansioso para que vai acontecer nos próximos dias. muito ansioso.

Antes de dormir preciso arrumar a tradução de dois textos que foram pedidos para a oficina, ensiá-los, e definir uma música. Além disso, outras peculiaridades foram exigidas, como roupas completamente pretas e uma sunga de banho, tmb preta. Imaginem o que isso vai virar!

Boa noite

domingo, 10 de abril de 2011

Ele passou pela rua pela sexta vez. Desta vez, porém, tinha certeza de que algo de importante, pela qual esperava desde a primeira vez que passou por ali, fosse acontecer desta vez. Não aconteceu. Mesmo assim, persistente que era, resolveu dar meia volta e voltar pelo mesmo caminho. Não conseguiria ir embora antes de ir e voltar, pelo menos até a décima vez. Andou pela calçada de cimento, coberta de lodo, à meia luz. Sob a sombra do poste, do outro lado da pequena rua, avistou alguém. Forçou seus olhos míopes para observar detalhadamente aquele rosto, que poderia ser um sinal de sua busca incessante. Resolveu aproximar-se e quanto mais perto chegava maior a certeza que de ali não havia nada além de uma esperança de encontrar alguma coisa que recompensasse tanto tempo perdido naquela, que já parecia uma longa caminhada. Porém, paciente que ainda estava, continuou, vagarosamente, a caminhar. Ainda haviam duas oportunidades. 

O que estará acontecendo comigo?

São 01h53 e estou acordado. Resolvi levantar a pouco depois de tanto rolar na cama. Não que esteja acontecendo algo de errado, nos últimos dias não tem acontecido nada de tão errado. A não ser pela minha incerteza de minha normalidade e de meu equilíbrio psicológico. Tenho a impressão que qualquer passo que possa dar na minha vida, intensificando meus estudos, minha pesquisa ou meu trabalho de ator vai me levar a um desequilíbrio maior do que o atual. 

Em conversa com uma amiga, ela me dizia como ela achava que eu havia me comportado nos dias que passei ao seu lado. Disse que por conta desse novo modo de vida, longe dos amigos, familiares, morando sozinho, saindo pouco estudando muito, sendo professor estaria me fazendo mudar de forma preocupante. Tenho estado, de acordo com ela, mais irritado com tudo, e quando algo de ruim acontece tenho tendido a ficar calado, introspectivo. E ela está certa, tenho percebido essas mudanças. Porém, para mim, isso estava longe de um desequilíbrio. Estava apenas tentando não me deixar irritar por algumas coisas, mesmo sabendo que algumas coisas soavam muito fortes e que me magoavam bastante. 

Para as pessoas que tenho convivido tenho passado a imagem de uma pessoa metódica, muito organizada, tecnicista, estruturalista. Sinceramente,  penso que seu eu fosse pelo menos metade do que acham que eu sou, estaria muito bem! Mesmo assim isso me preocupa. Ânsia por querer controlar tudo ou, pelo menos, controlar a mim mesmo. 

Agora aqui estou. Não sei se estou bem ou mal, perdi a minha referência de controle sobre o meu próprio comportamento. Faço análises diárias dos meus atos e juro que tenho sido o mais justo possível, mas percebo que minha percepção das coisas podem estar equivocadas. Não sei.

O que estará acontecendo comigo?