Eu definitivamente não entendo o
que acontece no coração dos apaixonados. Quando se conhecem ficam deslumbrados,
constroem castelos de sonhos e em poucos dias percebem que os mesmos foram
construídos com compensado que logo desaba e transforma tudo em um montueiro de
lixo.
Mas não o bastante para se
colocar um fim no relacionamento. Pondera-se os pontos positivos, entre eles a
diminuição da sensação de solidão e da possibilidade de preocupar-se com alguém
que não seja a si próprio (preocupar-se apenas consigo leva qualquer
perfeccionista à loucura).
Então, vai-se levando, com a
sincera consciência, muitas vezes não declaradas, de que poderia ficar muito
bem sozinho novamente, ou que poderia encontrar alguém mais interessante. Por
outro lado, faz de tudo para que a pessoa se sinta valorizada, acalentada,
protelando suas decisões mais abruptas.
Um dia, antes mesmo de se
conhecerem a fundo, descobre que a outra pessoa pensa bem menos em você do que
você mesmo imaginava. Decide então estabelecer o fim, evitando que isso se
torne um mar de cobranças.
Novamente sozinho, pensa na
grandeza de estar novamente livre, de viver as próprias vontades para programar
os próximos dias, de conhecer pessoas novas e de se permitir ser feliz
novamente.
E quando bate a noite, sente
falta dos problemas, das programações que teve que participar, da pessoa que a
pouco desejou não ver mais. Fica então indeciso do que sente. Bate uma leve
certeza que se estiver junto novamente, não vai ser feliz e que permanecer
sozinho também não o fará feliz.
É, que venha o tempo!
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